"Vou-me à imensidão com minhas asas azuis buscar pelos versos ocultos"

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Sussurro

 



A luz da lua, intrusa em meu quarto, 

Desenha sombras sobre o lençol desfeito. 

Sinto o calor que emana de teu trato, 

O compasso frenético em meu peito.


Deslizo as mãos, buscando o teu relevo, 

Um mapa novo que insisto em decorar. 

Nesse silêncio, o que guardo, eu relevo, 

E deixo o corpo, enfim, se embriagar.


É um desejo que acende, que consome, 

Uma sede que a pele pede e clama. 

Sussurro baixo, apenas o teu nome, 

Enquanto o mundo lá fora se derrama.


Somos o verso, a chama e o compasso, 

Nessa entrega que a carne não esconde. 

Enlaço a vida em cada teu abraço, 

Onde a alma quer ir, o corpo responde.





AnnaLuciaGadelha



quinta-feira, 2 de julho de 2026


 Vento Nordeste 


Na desordem dos dias

o coração sangrava,

as roupas mofavam nas gavetas...


Ele andava em círculo

no silêncio do quarto,

cama desfeita até que a chuva chegou,

distraindo o calor...


O sol rompeu as nuvens,

iluminando a casa,

o coração parou de sangrar...


O vento nordeste o convidou a um banho de mar...


J Estanislau Filho



terça-feira, 30 de junho de 2026

Mulher Luna

 



 

Sou feita de fases, de sombras e luz,

Um brilho discreto que a noite conduz.

Não tenho a rotina do sol que fulgura,

Sou mistério, maré, mutação e costura.

 

As Quatro Faces do Meu Ser

Crescente:

Onde planto os desejos,

Menina que molda o próprio caminho,

No rastro de luz que desenha os festejos.

 

Cheia:

Transbordo em mistério, em força, em clareira,

Sou ventre do mundo, a loba, a fogueira.

Nenhum lobisomem me mete pavor:

Eu mando na noite, na cura e no amor.

 

Minguante:

O tempo de recolher os meus cacos,

Silêncio sagrado que o peito requer.

Despindo as vaidades, lavando os casacos,

Na calma profunda de quem sabe o que quer.

 

Nova:

O escuro total onde a alma descansa,

O vácuo perfeito que gera a semente.

Ninguém me enxerga, mas sou a esperança

Do ciclo que volta, sutil, renascente.

 

"Dizem que mudo demais, que sou inconstante.

Mal sabem que a minha constância é mudar.

Puxo as marés do oceano num instante

E guio os poetas que ousam sonhar."

 

Prateada, divina, telúrica e sutil,

Trago o cosmos guardado no meu camarim.

Se o sol queima os olhos de quem o assistiu,

A Lua convida a olhar para si





AnnaLuciaGadelha










Mulher Lunar


domingo, 28 de junho de 2026

Pele em Verso



  Há um segredo em teu sorriso

que minhas mãos sonham decifrar.

Teu nome, quando o silêncio pronuncia,
acende constelações no meu respirar.

Somos dois desejos caminhando lentos,
como o mar que beija a areia
sem jamais perder a ternura
nem a vontade de voltar.

Teus olhos me vestem de coragem,
teu abraço desfaz o inverno,
e cada segundo ao teu lado
é uma chama aprendendo a dançar.

Não é a pressa que nos conduz,
mas a delicadeza do encontro;
é o arrepio que antecede o toque

o instante suspenso entre o querer e o sentir.

Em tua pele encontro abrigo,
na minha deixo o perfume da saudade.
E quando nossos corpos se aproximam,
o mundo inteiro parece respirar mais devagar.

Porque há amores que gritam,
e há os que sussurram...
Nós somos desses
que transformam um simples toque
na mais bela forma de poesia.




AnnaLuciaGadelha







segunda-feira, 6 de abril de 2026

Frisson

 

 O silêncio trouxe o seu tom,

Despertando enfim o meu dom.

A pele se curva ao frisson,

Num suspiro que é tão bom.


Sublimemente meus sentidos aflorados

Arrepios pelo corpo fielmente experienciados

Coração, mente e corpo frequenciados

Vibração que flui dos seres maravilhados


No toque sutil do frisson,

A alma se rende à paixão.

Ondas de luz em expansão,

Unindo sentidos em fusão.


Emoção extravasada com amorosidade

Percebo claridade na escuridade

Vislumbro estrelas na introspectividade

Sinapses cerebrais em potencialidade


O universo em nós se traduz,

Num brilho que o toque conduz.

O que era sombra hoje é luz,

E o fluxo sagrado nos seduz.


Conexão com o universo exterior

Transcendência do eu interior

Energia transcendente consciencial

O ser em ápice substancial

:AnnaLuciaGadelha & Maria P. G. Albuquerque.







sexta-feira, 3 de abril de 2026

As Mulheres No Caminho do Cristo

 







 

Espelhem-se no exemplo do Mestre redivivo

Que soube como nenhum outro antes e depois dele

Perscrutar o inquieto e sensível coração feminino

Jesus não veio julgar a humanidade, veio ensiná-la a amar

Tocadas pelo seu amor libertador, muitas mulheres pobres ou abastadas passaram a segui-lo

 Romperam silêncios com passos de rara coragem

Lavando as feridas no mar de um perdão sem medida

 Pois quem se perdoa na fonte desse amor sagrado

Refaz o destino e encontra o sentido da vida

Discípulas, apóstolas, mensageiras da Boa Nova

Assistiram doentes, acolheram os desvalidos

Praticaram o que recolheram daqueles excelsos lábios

Acompanharam o Mestre na hora do derradeiro suplício

Foram elas as guardas da luz na manhã da esperança

As primeiras vozes a anunciarem que a morte findou

Pois Cristo, em sua glória, deu à mulher a confiança

De ser o primeiro eco do amor que o mundo curou

A tristeza profunda deu lugar ao júbilo, e elas tiveram a certeza

De que Jesus jamais as abandonaria à própria sorte

Voltou a pulsar de vida o coração de Maria Madalena

O rabi da Galileia venceu a ilusão da morte

Joana, Susana e tantas que a História omitiu

No exemplo de Marta e Maria, o serviço e a luz

Pois cada semente que o ventre da fé permitiu

Floresce hoje em nós pelo amor que conduz

Com carinho e devoção a mulher lavou e enxugou com os próprios cabelos os pés do Cristo consolador

A samaritana não se achava digna de dar água ao mestre, mas Jesus a elevou

Jesus salvou a adúltera do apedrejamento dizendo, atire a primeira pedra quem nunca errou

Maria de Nazaré superou sua dor e como filhos do seu coração ela nos adotou

Na fonte desse amor sagrado a vida se refaz

No Cristo Redivivo encontramos a paz

Que a luz da Sua Páscoa em nós venha habitar

E o amor seja a mensagem para o mundo curar

 

Feliz Páscoa!



Aldrin M Félix e AnnaLuciaGadelha






terça-feira, 31 de março de 2026

Alma em movimento




 Deixei a porta aberta e o café esfriar

Olhei pro relógio sem pressa de chegar

As sombras na parede desenham o que eu quis

Fragmentos de um tempo em que eu era aprendiz

A vida é um rascunho escrito à mão

No meio do silêncio, ouço o meu coração.

 

Não é o fim do mundo, é só o começo do trajeto

Vou trocar o medo por um plano mais concreto

O vento lá fora já começou a soprar

E eu não tenho medo de me reinventar.

-

É pop, é rock, é a pulsação

De quem não entrega a alma na mão da solidão

Vou correr pro sol, sem olhar pra trás

O que ficou pra ontem já não me satisfaz

O mundo gira e a gente aprende a dançar

Nesse pop rock que nos faz acreditar!

 

As ruas da cidade guardam passos que eu dei

Alguns eu me orgulho, outros eu apaguei

Não busco perfeição em cada nota que sai

O que é verdadeiro nunca se distrai

A liberdade é um acorde que a gente toca

A verdade é o grito que explode na boca.

 

Se o caminho for longo, eu sigo o sinal

Transformo o ruído em algo visceral

Um pouco de distorção, um pouco de luz

É essa mistura que agora me conduz!

 

 É pop, é rock, é a pulsação

De quem não entrega a alma na mão da solidão

Vou correr pro sol, sem olhar pra trás

O que ficou pra ontem já não me satisfaz

O mundo gira e a gente aprende a dançar

Nesse pop rock que nos faz acreditar!

 

Acreditar..

Deixa o som levar...

O horizonte é o lugar.



AnnaLuciaGadelha



Dedico esta letra a Vitória Régia, cuja força é inesquecível”. Que cada verso carregue a energia da nossa amizade e o espírito do rock que nos inspira.

segunda-feira, 30 de março de 2026

SOMBRAS DANÇAM NA MARÉ

 





Vem o rio, vai o mar

Sob a lua, o amanhã

Onde o vento vai repousar

E o silêncio é a canção


Folhas de ouro no chão de prata

A floresta sabe esperar

Cada estrela é uma carta

Que o destino quer entregar

Sinta o pulso, ouça o centro


Longe... além do véu...

Perto... sob o céu...

O tempo é um círculo

A alma é o carrossel


Onde o vento repousa...



 AnnaLuciaGadelha





domingo, 29 de março de 2026

Urgência Mansa

 


Meus olhos te despem antes das mãos,

Num rito lento, onde o silêncio é prece.


Sou curva, relevo, o chão e o vão,


E o fogo que em teu toque amanhece.


Vem, percorre o caminho das vértebras,


Como quem lê um verso em braile no escuro.


Tua boca é o vinho que as sedes celebram,


O porto, a tormenta, o meu abraço seguro.


Sente o pulsar onde o sangue se apressa,


No ritmo exato da nossa urgência mansa.


Meu corpo é promessa que em ti se confessa,


E a tua pele é a música da minha dança.


Não há pressa no mel, nem medo no laço,


Apenas o encaixe, o fôlego que se perde...


Sou tua, inteira, no aperto do braço,


Enquanto a noite lá fora, de inveja, se morde.







AnnaLuciaGadelha


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Xaile Negro

 


Puxo o negro do meu xaile

Contra o frio da solidão,

 A vida é um triste baile

Dançado no coração.

A lua, pálida e fria,

Espreita na minha janela,

 Vê-me à espera de um dia

Que se apagou como a vela.

Dizem que o tempo é doutor,

Que cura tudo o que dói,

Mas tempo sem o teu amor

É tempo que me destrói.

Olho as águas do Tejo

A correr p’ra não voltar,

Levaram o último beijo

Que não me chegaste a dar.

Ai, Fado, meu triste fado,

Que me trazes a sofrer,

Quem vive preso ao passado

Morre aos poucos sem morrer.

 Chora, guitarra, comigo,

Nesta rua de amargura,

Se o amor é um castigo,

A saudade é a tortura.

 Já gastei as pedras todas

 Da calçada, de esperar.

O destino tece as rodas

Que nos fazem tropeçar.

 Não culpo a minha má sorte,

Nem a tua ingratidão,

Amar-te foi o meu norte,

Perder-te, a minha perdição.

 Quando a voz me falecer

E o meu canto se calar,

Só peço, ao entardecer,

Que alguém te vá contar:

Que fui rainha e fui serva

Deste amor que me consumiu,

Como a flor que se conserva

Numa carta que ninguém viu.

 Ai, Fado, meu triste fado,

Que me trazes a sofrer,

Quem vive preso ao passado

 Morre aos poucos sem morrer.

Chora, guitarra, comigo,

Nesta rua de amargura,

Se o amor é um castigo,

A saudade é a tortura.



AnnaLuciaGadelha







 

 

 

domingo, 30 de novembro de 2025

Os Quatro Elementos

 


A Terra se ergue, silêncio e raiz,

No ventre escuro onde a semente é paz.

É o solo firme, a força que não finda,

O corpo de Deus na forma que é tão linda.

 

 Em cada grão, em cada ser que brota,

Sinto a paciência da verdade remota,

Que nos sustenta, berço e sepultura,

 A promessa eterna da Vida pura.

 

A Água flui, um espelho cristalino

,No sussurro leve de um segredo divino.

É o rio que corre e nunca tem regresso,

A lágrima, o orvalho, a fluidez do excesso

 

Que lava a alma, purifica o ser.

No imenso Mar, o tempo a dissolver,

 Sinto a vastidão, a graça em movimento

, O sopro d'Aquele que é puro sentimento.

 

O Ar invisível, respiração do mundo,

O hálito sagrado, mistério profundo.

É o vento que sopra em cada pensamento,

O espaço aberto, leve, o firmamento.

 

Em cada inspiração, a comunhão se faz,

 A ponte sutil que nos traz mais e mais

Perto do Alto, do nome que não se diz,

A liberdade que o Espírito bendiz.

 

O Fogo que queima, a chama que se eleva,

A paixão da vida que a existência tece.

É Sol que nutre, a luz que não se esgota,

 A fornalha interna, a mais intensa nota

 

Que transforma o medo em calor e coragem.

No brilho da estrela, na ardente paisagem,

Sinto a energia, a força criadora,

O olhar divino que em tudo nos mora.

 

Terra, Água, Ar e Fogo, os quatro sagrados,

Em nós ressoam, em nossos próprios estados.

Somos a argila que a chuva amoleceu,

O sopro de vida que o Céu nos concedeu.

 

Ao contemplar a flor, o mar, a montanha,

A alma desperta, o véu se desentranha,

 Pois no espetáculo da natureza em festa,

O Divino nos fala, e a vida é a resposta.



AnnaLuciaGadelha








 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Chama Ardente

 


Não precisa acender a luz, a noite é cúmplice e gentil.

Só o brilho incerto da cidade que entra pela fresta sutil.

 E o ar já está denso, uma promessa no silêncio.

Eu sinto o teu olhar me despir, em câmera lenta, e eu dou licença.


Não tenho pressa, não... A pressa é para quem não sabe o que quer.

Eu sou feita de fogo baixo,

 Não sou tempestade, sou maré que sobe e inunda o cais.

Me move o toque, me acende a calma.


Vem, acende essa chama ardente que guardo na alma.

E me mostra de novo aquele teu jeito

Que me faz pedir baixinho, "Quero mais..."

 

 

Minha pele é um mapa que só tu tens a chave,

 Cada curva, um segredo que a tua boca desbrava.

Teu nome é um sussurro que adorna o meu gemido,

Um veludo rouco que eu guardei só para o teu ouvido.

 

O tempo parou na beira da cama, só o desejo avança.

Neste quarto há só nós dois, e a nossa dança.

 

Eu sou feita de fogo baixo,

Não sou tempestade, sou maré que sobe e inunda o cais.

 Me move o toque, me acende a calma.

 Vem, acende essa chama ardente que guardo na alma

E me mostra de novo aquele teu jeito

Que me faz pedir baixinho, "Quero mais..."




AnnaLuciaGadelha

 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Canta o Vento

 


Canta o vento na beira do rio

Feito reza que embala o vazio

Minhas mãos se enchem de tempo

Minhas dores, de esquecimento

 

Mar de dentro, me leva pra casa

Onde a saudade acende a brasa

No teu colo eu sou passarinho

Feito um sopro no teu caminho

 

No meu peito cabem as marés

Teus silêncios, teus pés, tua fé

Vem, me ensina a linguagem das águas

A dizer sem palavras, sem mágoas

 

 

Sou do barro, do cheiro da chuva

Do cantar das mulheres que curam

Sou da terra que dança e que chama

Teu amor é meu canto, é minha cama

 

 

Mar de dentro, me leva pra casa

Onde a saudade acende a brasa

No teu colo eu sou passarinho

Feito um sopro no teu caminho

 

 

E se um dia eu for embora

Levo a lua bordada na memória

Tua voz vai comigo, acalanto




AnnaLuciaGadelha









domingo, 21 de setembro de 2025

 "A arte nunca deve tentar ser popular. O público é que deve tentar ser artístico." Esta citação de Oscar Wilde ressoa profundamente em mim, evocando uma reflexão intensa sobre a relação entre arte e sociedade. Em um mundo onde a cultura de massa frequentemente dita as normas, é essencial lembrar que a verdadeira arte não se curva às demandas do gosto popular; ela transcende o ordinário e desafia o observador a uma compreensão mais profunda e significativa.


A arte autêntica é um reflexo da alma do artista, uma manifestação de sua visão única e, muitas vezes, incompreendida do mundo. Pensemos em Vincent van Gogh, cuja obra só foi plenamente apreciada após sua morte. Van Gogh não pintava para agradar ou para ganhar popularidade; ele pintava para expressar sua visão singular da realidade. Suas telas, carregadas de emoção e intensidade, são um testemunho da profundidade da experiência humana, algo que não pode ser capturado por um desejo superficial de aceitação.


Na literatura, encontramos exemplos abundantes de obras que não buscavam a popularidade, mas a verdade. James Joyce, em "Ulisses", criou um texto denso e complexo, repleto de referências mitológicas, literárias e históricas. "Ulisses" não foi escrito para ser popular; foi escrito para desafiar o leitor a confrontar a própria natureza da experiência humana. Joyce, como Van Gogh, não buscava a aprovação das massas, mas a criação de uma obra de arte que ressoasse com a verdade mais profunda da existência.


Friedrich Nietzsche, em "O Nascimento da Tragédia", nos oferece uma perspectiva filosófica valiosa. Ele argumenta que a verdadeira arte surge da tensão entre os impulsos apolíneos e dionisíacos. O apolíneo representa a ordem, a beleza e a racionalidade, enquanto o dionisíaco encarna o caos, a emoção e a irracionalidade. A arte autêntica, segundo Nietzsche, é aquela que consegue equilibrar esses dois aspectos, criando uma obra que ressoa profundamente com a complexidade da condição humana.


A ideia de que o público deve tentar ser artístico é, portanto, uma chamada à elevação. Significa cultivar uma sensibilidade estética, uma abertura para a complexidade e uma disposição para o esforço intelectual. Significa ler os grandes clássicos da literatura, contemplar as obras-primas da pintura e escutar a música que desafia e eleva. É reconhecer que a verdadeira arte não é uma mercadoria a ser consumida passivamente, mas uma experiência transformadora que exige uma participação ativa.


Em um mundo cada vez mais dominado pela cultura de massa e pelo consumo rápido, essa tarefa pode parecer hercúlea. No entanto, é precisamente essa busca pela verdadeira compreensão da arte que nos permite crescer como indivíduos e como sociedade. A arte nos desafia a ver o mundo de novas maneiras, a questionar nossas premissas e a expandir nossos horizontes. E, ao fazer isso, ela nos oferece um vislumbre do que significa ser verdadeiramente humano.


Portanto, quando Oscar Wilde dizia que a arte nunca deve tentar ser popular, estava defendendo a pureza e a integridade da criação artística. E quando afirmava que o público é que deve tentar ser artístico, estava convocando cada um de nós a elevar nosso espírito, a buscar a beleza e a profundidade onde quer que as encontremos, e a celebrar a arte não por sua popularidade, mas por sua capacidade de nos transformar. Então, devemos   todos nos esforçar para ser mais artísticos, para buscar a verdadeira essência da arte, e para celebrar a sua capacidade de nos conectar com o que há de mais profundo e verdadeiro em nós mesmos.


Oliver Harden

quinta-feira, 18 de setembro de 2025






 Entre nós tudo era maravilhoso

Amanhecer, entardecer e anoitecer

O dia inteiro se tornava venturoso

Não quero jamais te esquecer

Relembrar nossos momentos

É ser feliz novamente

Sonhar contigo é ver o céu reluzente

Nosso amor nos ensinou a voar

Éramos livres como a passarada

Teu corpo era minha morada

Como esquecer o Sol da minha vida?

Relembrar me faz viver,

Pranteio quando relembro da despedida

Tu foste toda minha felicidade

Amar-te-ei até o fim dos meus dias

Sonhos que aquecem minhas noites frias

 

 

 

AnnaLuciaGadelha

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Desnuda




 Eu sou aquela mulher que vive solitária

Não sei qual meu rumo e nem destino
A vida se tornou minha grande adversária
Como posso achar esse mundo divino?

Minh’alma padece na infeliz escuridão
Eu espero a triste morte com ansiedade
Machuca-me esse universo de desilusão
Assim transcorre minha sina de maldade

Que dó! Sempre fui uma mulher invisível
Percorri longos caminhos com apatia
Meu pobre coração sentia assaz agonia

Sou aquela que se acostumou com a dor
Procurou uma migalha de amor e não achou
Sinto grande piedade do que de mim restou

AnnaLuciaGadelha 



(Poema inspirado no soneto “Eu”, de Florbela Espanca)

sábado, 13 de setembro de 2025


 

 


Canta o vento na beira do rio

Feito reza que embala o vazio

Minhas mãos se enchem de tempo

Minhas dores, de esquecimento

 

Mar de dentro, me leva pra casa

Onde a saudade acende a brasa

No teu colo eu sou passarinho

Feito um sopro no teu caminho

 

No meu peito cabem as marés

Teus silêncios, teus pés, tua fé

Vem, me ensina a linguagem das águas

A dizer sem palavras, sem mágoas

 

 

Sou do barro, do cheiro da chuva

Do cantar das mulheres que curam

Sou da terra que dança e que chama

Teu amor é meu canto, é minha cama

 

 

Mar de dentro, me leva pra casa

Onde a saudade acende a brasa

No teu colo eu sou passarinho

Feito um sopro no teu caminho

 

 

E se um dia eu for embora

Levo a lua bordada na memória

Tua voz vai comigo, acalanto




AnnaLuciaGadelha