Sou feita de fases, de sombras e luz,
Um brilho discreto que a noite conduz.
Não tenho a rotina do sol que fulgura,
Sou mistério, maré, mutação e costura.
As Quatro Faces do Meu Ser
Crescente:
Onde planto os desejos,
Menina que molda o próprio caminho,
No rastro de luz que desenha os festejos.
Cheia:
Transbordo em mistério, em força, em clareira,
Sou ventre do mundo, a loba, a fogueira.
Nenhum lobisomem me mete pavor:
Eu mando na noite, na cura e no amor.
Minguante:
O tempo de recolher os meus cacos,
Silêncio sagrado que o peito requer.
Despindo as vaidades, lavando os casacos,
Na calma profunda de quem sabe o que quer.
Nova:
O escuro total onde a alma descansa,
O vácuo perfeito que gera a semente.
Ninguém me enxerga, mas sou a esperança
Do ciclo que volta, sutil, renascente.
"Dizem que mudo demais, que sou inconstante.
Mal sabem que a minha constância é mudar.
Puxo as marés do oceano num instante
E guio os poetas que ousam sonhar."
Prateada, divina, telúrica e sutil,
Trago o cosmos guardado no meu camarim.
Se o sol queima os olhos de quem o assistiu,
A Lua convida a olhar para si
AnnaLuciaGadelha
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