"Vou-me à imensidão com minhas asas azuis buscar pelos versos ocultos"

 

segunda-feira, 30 de março de 2026

SOMBRAS DANÇAM NA MARÉ

 





Vem o rio, vai o mar

Sob a lua, o amanhã

Onde o vento vai repousar

E o silêncio é a canção


Folhas de ouro no chão de prata

A floresta sabe esperar

Cada estrela é uma carta

Que o destino quer entregar

Sinta o pulso, ouça o centro


Longe... além do véu...

Perto... sob o céu...

O tempo é um círculo

A alma é o carrossel


Onde o vento repousa...



 AnnaLuciaGadelha





domingo, 29 de março de 2026

Urgência Mansa

 


Meus olhos te despem antes das mãos,

Num rito lento, onde o silêncio é prece.


Sou curva, relevo, o chão e o vão,


E o fogo que em teu toque amanhece.


Vem, percorre o caminho das vértebras,


Como quem lê um verso em braile no escuro.


Tua boca é o vinho que as sedes celebram,


O porto, a tormenta, o meu abraço seguro.


Sente o pulsar onde o sangue se apressa,


No ritmo exato da nossa urgência mansa.


Meu corpo é promessa que em ti se confessa,


E a tua pele é a música da minha dança.


Não há pressa no mel, nem medo no laço,


Apenas o encaixe, o fôlego que se perde...


Sou tua, inteira, no aperto do braço,


Enquanto a noite lá fora, de inveja, se morde.







AnnaLuciaGadelha


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Xaile Negro

 


Puxo o negro do meu xaile

Contra o frio da solidão,

 A vida é um triste baile

Dançado no coração.

A lua, pálida e fria,

Espreita na minha janela,

 Vê-me à espera de um dia

Que se apagou como a vela.

Dizem que o tempo é doutor,

Que cura tudo o que dói,

Mas tempo sem o teu amor

É tempo que me destrói.

Olho as águas do Tejo

A correr p’ra não voltar,

Levaram o último beijo

Que não me chegaste a dar.

Ai, Fado, meu triste fado,

Que me trazes a sofrer,

Quem vive preso ao passado

Morre aos poucos sem morrer.

 Chora, guitarra, comigo,

Nesta rua de amargura,

Se o amor é um castigo,

A saudade é a tortura.

 Já gastei as pedras todas

 Da calçada, de esperar.

O destino tece as rodas

Que nos fazem tropeçar.

 Não culpo a minha má sorte,

Nem a tua ingratidão,

Amar-te foi o meu norte,

Perder-te, a minha perdição.

 Quando a voz me falecer

E o meu canto se calar,

Só peço, ao entardecer,

Que alguém te vá contar:

Que fui rainha e fui serva

Deste amor que me consumiu,

Como a flor que se conserva

Numa carta que ninguém viu.

 Ai, Fado, meu triste fado,

Que me trazes a sofrer,

Quem vive preso ao passado

 Morre aos poucos sem morrer.

Chora, guitarra, comigo,

Nesta rua de amargura,

Se o amor é um castigo,

A saudade é a tortura.



AnnaLuciaGadelha