Meus olhos te despem antes das mãos,
Num rito lento, onde o silêncio é prece.
Sou curva, relevo, o chão e o vão,
E o fogo que em teu toque amanhece.
Vem, percorre o caminho das vértebras,
Como quem lê um verso em braile no escuro.
Tua boca é o vinho que as sedes celebram,
O porto, a tormenta, o meu abraço seguro.
Sente o pulsar onde o sangue se apressa,
No ritmo exato da nossa urgência mansa.
Meu corpo é promessa que em ti se confessa,
E a tua pele é a música da minha dança.
Não há pressa no mel, nem medo no laço,
Apenas o encaixe, o fôlego que se perde...
Sou tua, inteira, no aperto do braço,
Enquanto a noite lá fora, de inveja, se morde.
AnnaLuciaGadelha
Que belo poema, Ana. O lirismo pelos versos, pelas mãos, pelos corpos que se adensam até se tornarem "apenas um corpo".
ResponderExcluirObrigado pela partilha!
Beijo, Ana!
Leia-se o lirismo escorre
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