"Vou-me à imensidão com minhas asas azuis buscar pelos versos ocultos"

 

domingo, 29 de março de 2026

Urgência Mansa

 


Meus olhos te despem antes das mãos,

Num rito lento, onde o silêncio é prece.


Sou curva, relevo, o chão e o vão,


E o fogo que em teu toque amanhece.


Vem, percorre o caminho das vértebras,


Como quem lê um verso em braile no escuro.


Tua boca é o vinho que as sedes celebram,


O porto, a tormenta, o meu abraço seguro.


Sente o pulsar onde o sangue se apressa,


No ritmo exato da nossa urgência mansa.


Meu corpo é promessa que em ti se confessa,


E a tua pele é a música da minha dança.


Não há pressa no mel, nem medo no laço,


Apenas o encaixe, o fôlego que se perde...


Sou tua, inteira, no aperto do braço,


Enquanto a noite lá fora, de inveja, se morde.







AnnaLuciaGadelha


2 comentários:

  1. Que belo poema, Ana. O lirismo pelos versos, pelas mãos, pelos corpos que se adensam até se tornarem "apenas um corpo".
    Obrigado pela partilha!
    Beijo, Ana!

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